Archive | January, 2011

Sapatos e tatuagens 2003

9 Jan

Os Sapatos e As Tatuagens

 

Como são importantes os sapatos, quase tão valiosos quanto as tatuagens…

Só que as tatuagens são mais amadas pois são definitivas, os sapatos podemos trocar, tal como as pessoas, podemos trocar, as tatuagens não…

Como é importante se valorizar, cultivar a vaidade de um desenho em seu corpo, algo que simboliza eternamente um momento só seu, as cores que mudam com o tempo, um novo ser para ser admirado pelo espelho de sua própria vida…

E os sapatos… mas eles são tão variados… sandálias, sapatilhas, os de salto alto, como são lindos, coloridos, de couro, de borracha, os tamancos, quanto tempo entre os sapatos e as tatuagens.

Mas existe alguém, que erra muito, mas e alguém,vivo, que sente.

Talvez um papo?

Não, os problemas próprios são muito mais importantes, como mudam as cores da tatuagem !!!

Que tal trocar todos os novos sapatos, buscar novos modelos, novas coleções, talvez ate mesmo novos amores!

Mas para o amor tem o banho, e como dá trabalho, se tem amor depois tem banho, e como da trabalho…Então deixa pra depois, amanhã talvez? Antes do banho.

A preguiça mata o amor, a preguiça de trocar, de tocar, de dividir o tempo, de dividir o roteiro, de se abrir, pois afinal o orgulho e a vaidade são bem mais poderosos?

Bem, na solidão de uma relação difícil sempre haverá tempo para os sapatos, curtir uma nova estação que chega, com suas variedades incríveis.

Também haverá tempo para admirar as tatuagens, seus fetiches, suas provocações, a sensualidade das flores que brotam em dias de sol.

Também haverá tempo de bijuterias, anéis, brincos, piercings, novas roupas, viagens e talvez um cineminha ao final da tarde…

Mas nada como a prova dos sapatos e a conferência das tatuagens, afinal depois de tudo isto talvez sobre um tempo para o amor.( não esquecer do banho, e ai vai ficar no talvez…)

Talvez esteja tudo errado….

Mas como é gostoso comprar sapatos e curtir as tatuagens…

 

 

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O que eu fumava em 02.2002?

9 Jan

 

Tempos de astral Lula, crises, crises. Bush, Flight Simulator 2002, Malabi…

Frustração apesar de conquistas.

Ócio criativo., Aterro, sobe e desce, pousos, decolagens e pane emocional.

Várias tretas se sucedendo, e a vida melhorando, apesar de cada mais difícil…

As tempestades internas se fundem em uma espiral de sonhos e fantasias, uma sopa no inconsciente, no subconsciente.

O tempo não é estático. O tempo é dinâmico e caótico.

Eu penso que esta histeria coletiva sempre foi assim, os grandes ditadores, Alexandre, Napoleão, os tiranos que defendiam sua nação da ameaça estrangeira: do desconhecido.

Grandes cataclismas abaterão a sociedade, será criado um conselho de notáveis após a dissolução da ONU e a capitulação de Washington.

O eixo China, Rússia,Índia, Brasil,Iraque, Arábia Saudita e Sudão conseguirá finalmente neutralizar as posições da Al Qaeda e unificar as nações para uma nova era, baseada na doutrina do sentido da humanidade.

O México vai coordenar a transição do governo Americano com a anuência do Congresso em Washignton.

O Governo Revolucionário divulga documento com as diretrizes para a harmonia entre os povos: Gandhi,Guevara, Buda, Bob Marley,Darcy Ribeiro e Tom Jobim.

O mundo vive era de grande prosperidade. O clima passa a ser controlado pelo gigantesco satélite artificial  Atmo Sat.

O povo Americano pela voz da veterna Britney Spears de 94 anos divulga documento histórico.

Respeito a raça humana é a idéia central do documento de 13 páginas que emocionou platéias do mundo todo as margens do que sobrou da ponte do Brooklin.

Brasil passa a ter a Presidência rotativa do conselho de anciãos na figura de Cristovam Buarque.

Enclausurado no Presídio Federal “Governador Mário Covas”, Paulo Maluf escreve o seu livro de memórias.

Clarissa Garotinho lidera o Estado do Rio na vanguarda de capital mundial da Música e Turismo Sexual. Mais de 18 milhões visitaram o Rio no ano passado, mais de 4 milhões de empregos criados em 5 anos.

A União Européia faz acordo histórico com a Liga Árabe.

A nuvem de fumaça de 8000 km2 começa a se dissipar  no meio do Oceano Atlântico,este ano completa 10 anos da distruição dos poços de petróleo por terroristas Iraquianos no mais incrível atentado da história.

Nas palavras do Senador Tom Cruise: “o legado de Bush é uma vergonha para o povo americano..”

Assinado armistício entre os BARÕES Fernando e Zé Bigode II. A linha Vermelha é liberada pelo Comando Vermelho a partir da 22 e a PM aceita  se submeter a revistas e blitzes após este horário.

Abatido mais um helicóptero do grupo  de Zé Menino de 14 anos.

Considerado um gênio da estratégia militar de guerrilha urbana, Zé Menino comanda um grupo de elite de 72 homens, todos com passagen pelo CORE e pelo BOPE. Uma tropa de elite que controla todo o espaço aéreo em volta da base de Santa Cruz e da zona Oeste..

O grupo dispõe de aproximadamente 4 helicópteros ( um foi abatido ontem por um Gripen da Aeronáutica.) e 2 caças F5 reciclados.

Zé Menino fez fama no dia da invasão do PALÁCIO Guanabara no ano passado quando desarticulou completamente o sistema de informações da PM com um hacker operando no Shoping Rio Sul.

Após a assinatura do documento de isenção do Governo Federal, representantes de ONGs, traficantes e Associação de moradores, comemoraram com um grande show no Piscinao de Ramos a divisao do poder do Rio. Nas palavras de Marcelo Yuca: “…finalmente o governo se sensibilizou e agora reinará a paz.

Cerco a sede da Policia Federal já dura 24 horas.

Membros da facção UE Vingança, mantém  o prefeito e mais 322 homens, investigadores de todo o país que se reuniam para a convenção anual enclausurados dentro do Circo Voador Barra.

Toda a empresa contratada para o evento era uma Operacion Cell, um grupo que se reuniu a mais de 7 anos e que agora exige um território de 22 km quadrados ente Madureira e Boncucesso. Até os músicos ajudaram na operação e no  cerco que já mobiliza todo o efetivo de infantaria de 18 batalhões do Rio de Janeiro.

A Senadora Patrícia Pillar ajuda nas negociações.

A Fundação Seu Jorge concede premio de melhor compositor do ano para Mauricio Oliveira.

Delírio 1998

9 Jan

CONSIDERACOES SOBRE A CONDUTA ADOLESCENTE BURGUESA ASSOCIADA A ELITE MUSICAL PENSANTE

Me parece sensata a possibilidade desta combinação como fator de sucesso na realização individual e egocêntrica, fruto da vaidade natural humana.

A autoconfiança desempenha duas funções bem definidas no desenvolvimento artístico: fator de impulso e evolução, e fator de perda dos limites, fronteiras entre o acaso e a excêlencia.

Os medos se manifestam nas formas mais variadas. Aí reside a tendência da união, do sentimento de nulidade coletiva, afinal todos nós estamos no mesmo teatro de guerra, ou picadeiro , como preferirem.

O controle da tensão do ambiente possui uma força incrivelmente poderosa.

A própria dominação, a sua vontade, o seu delírio sem sentimento, é como biscoito de água e sal, convence mas não emociona.

O limite do atrito é regulado por uma correlação de forças muitas vezes antagônicas, as alianças são fundamentais, quanto mais forte, mais solicitado: informaçõess, notas de rodapé, fofocas e todas as modalidades de intrigas.

A combinação destas variáveis produz resultados muito curiosos e interessantes.

A grande dúvida no processo de construção de uma obra coletiva ( amor, parceria, pacto)  , forma de contribuição mais efetiva de cada indivíduo. Me parece esta construção muito mais interessante do que a simples realização do seu inconsciente – self centered.

Exige muito mais do que o meu , o nós…  É muito mais vivo, ele é a realização da vontade de Deus, que só pode ser a paz e a harmonia, por mais dolorosa, que seja a melodia , mesmo se tiveresse que desaparecer pra sempre de nossas almas.

Os músicos pensantes, em geral  não costumam escrever, não são os críticos, os pensantes fazem, os críticos acham, , achou, foda se , me toca um lá maior no violão, se nunca foi lá…, a fundo não tem como descrever , mas voltando ao pseudo músico pensante, desculpem eles atraem e são atraídos pelos prisioneiros dos condomínios e das regiões nobres, eles se cobiçam mutuamente, uns tem a vida, outros lutam por ela.

O Homem de Copacabana 02.2005

9 Jan

 

O Homem de Copacabana

 

 

Absorto em meus pensamentos, atravessava a esquina da Barata Ribeiro com Nossa Senhora, invisível, irreconhecível, sabia que estava protegido pela multidão apressada, gente de todos os tipos, isto me reconfortava, um anonimato natural, um ostracismo voluntário.

Já fazia muitos meses que eu não falava com ninguém. Meus breves contatos humanos em bares, supermercados ou restaurantes eram sempre impessoais e monocórdios.

Os únicos lugares onde eu desenvolvia algum breve assunto eram as saunas e termas da região, pois nelas eu me sentia seguro, afinal todos buscavam a discrição, mas mesmo assim eu era cuidadoso em variar de uma para a outra, a fim de que nunca fosse considerado um habituê.

Nem mesmo antes ou durante as trepadas melancólicas eu falava com as profissionais; entrava, bebia algumas cervejas, escolhia o objeto para meu alívio e fodia sem deixar vestígios.

Conhecia como um rato todas as quebradas possíveis do bairro,os melhores traficantes, os melhores puteiros, saunas, casas de massagem, os melhores muquifos e qualquer outro buraco onde nunca seria notado..

Sempre procurei andar o mínimo possível durante o dia,minha atuação começava invariavelmente no período noturno. Rastejando pela madrugada de Copacabana e respirando devaneios e perversão, minha peregrinação doente era a válvula de escape de todas as paranóias e depressões deste vazio existencial que consome nossa sociedade angustiada pelo ego e consumo.

Basicamente minha rotina era muito simples, dormia durante o dia, acordava lá pelas 4 da tarde, acendia meu baseado, comia restos em um restaurante a quilo e me recolhia em casa até a meia noite, este período de recolhimento era dedicado a pesquisas pela  internet,dentre estas pesquisas, a de maior satisfação  era sobre as putas e os preços da região, conhecia tudo, me inteirava das cotações e negociações.

Baseado atrás de baseado eu me preparava para mais uma noite de luxúria matutando qual seria o evento da noite: “Garotas da Pista”, “Prado Jr”, “Termas”, “Putas em Casa”, “Casa de Swing” e assim por diante, como era doce fantasiar neste tão variado leque de perdição, ia manipulando o meu pau horas a fio preparando a arma para mais uma madrugada de delírio sem razão.

Quando chegava a hora da loucura eu saía como um vampiro, uma leve ansiedade comprimia meu estômago, uma excitação sem igual atormentava esta alma tão desvairada. Foram muitas vezes que eu me confundi com a noite, como se não respirasse mais, como se eu fosse um espectro vagando sem rumo em uma atmosfera gelatinosa, de ar pesado.

Eu não me sentia mais.

Como se fora um psicopata muitas putas me evitavam, com medo de meu visual abjeto e desesperado.

Algumas vezes pela própria limitação geográfica eu esbarrava com outras criaturas em igual estado de devaneio e vazio existencial, alguns se aproximavam, mas eu sempre arrumava um jeito de desaparecer ou mudar radicalmente meus hábitos.Não cumprimentava ninguém, não conhecia ninguém.

Confesso que muitas vezes me espantei com tamanha voracidade, tanto de putas profissionais como de mulheres loucas nas casas de swing, taras que beiravam a angústia , agonia e insaciabilidade.

Copacabana na madrugada, minha casa, meu quarto. Todos meus fantasmas, meus amigos nesta longa jornada.

Sem dúvida uma fase onde qualquer forma de reflexão seria inútil. A reflexão era sempre sobre a qualidade da maconha, das putas e da onda.

Um mundo particular de devassidão.

Dentre todos os eventos a Casa de Swing sempre foi imbatível em termos de emoção,sempre imprevisível, com aquelas mulheres transfiguras em sua pureza nas mais hediondas prostitutas, liberadas das regras morais da sociedade, e com o aval de seus maridos dando vazão a seus instintos canibais.

Após estas surubas era com prazer que eu me banhava horas a fio na tentativa de me esvair daquela energia e cheiros pútridos. Mas no fundo nada adiantava pois sabia que  estava impregnado de sexo e variedade em meu corpo e mente.

Gostava muito de freqüentar os puteiros mais medonhos, fétidos com suas criaturas decadentes. Nestes ambientes eu sempre fazia questão de negociar ao máximo e barganhar os preços, em um hábito de libidinosa  mesquinhez…

Um monstro.

Sabia que me transformara em um monstro, minha pele era amarela, meus olhos fundos, alergias habitavam minhas virilhas e meu pau cheirando a látex e flora vaginal alheia.

Um monstro.

Este processo era calculado, tudo dentro de meus planos, entregue a intuição me esbaldava no mar alto da depravação.

Assim passavam se os meses e minha atmosfera pessoal ia se tornando cada vez mais caótica e sombria dentro deste universo restrito de atividades.

Me integrei ao ambiente e sua quantidade sem precedente de mendigos, marginais, traficantes, putas e cafetões infestando o bairro de perdição e contravenção.

Copacabana.

Pobre dos velhos e honestos , vitimas contumazes dos trombadinhas, punguistas e golpistas de toda sorte, ninguém era confiável. Do eletricista charlatão ao traficante vendendo mistura o importante era abrir os olhos para sobreviver nesta selva de animalidade.

Com que saudade eu me recordo dos verões intermináveis e suas madrugadas quentes,povoadas de turistas sexuais e uma variedade incrível de estrangeiros abjetos, homosexuais pervertidos e pedófilos. Durante o verão as atividades ilícitas atingem um grau muito maior de agitação, muitas putas se transferem para a região no intuito de abocanhar os dólares e o pobre dinheiro dos incautos, loucos e carentes de outros paises.

Enquanto este panorama se desenrolava eu ia me divertindo e gastando todo dinheiro que ainda me restava.

Tudo seguindo seu ritmo

Nesta toada eu empurrava a minha existência rumo ao abismo social e pessoal, serenamente em minha depressão oculta.

O plano de me tornar um fantasma e cultivar a minha promissora célula adormecida.

Quando você é um anônimo o mundo parece um aquário, passa-se despercebido pela sociedade, sem documentos, CPF, imposto de renda, bens, ou qualquer coisa que remeta a uma existência comum…

Arte 02.2005

9 Jan

 

Nem sempre estamos aptos para as escolhas

Consumidos em nosso universo limitado, vivemos em bolhas

E olha, com certeza este agora, guia nosso amanhã.

Em um simples mergulho, ou em um piscar de olhos

O agora vai se embora, e então já estamos de fora

E os dias correm, engolem as tardes, noites que germinam em madrugadas

E quando do nada destas madrugadas tudo vem a tona, nasce o medo

E se achavas que ainda era cedo para tanto desespero, não, com o medo o tempo foge

Confunde, mistura sonhos com verdade, realidade com anseios, taras com desejos…

E quando o orvalho toca as flores, o mesmo que um beijo de carinho no seu coração

Não, vem o sol forte, desperta, te revela que alem de sofrer e contar com a sorte,

Ávida, a vida e linda, ainda que deságua em morte.

E se achas que pela direção dos ventos, a posição das estrelas, ou o nascer deste sol forte vais conseguir se orientar, encontrar seu norte, desista, pois o que marca e fica é nada, nada além dos segredos tão escondidos dentro de você, que se estes mistérios se perdem para sempre,mais do que a vida e a morte, apenas arte.

De cima 05.2005

9 Jan

 

Incrível como de cima os problemas parecem tao pequenos e insignificantes.

A relatividade do tempo e do espaço banalizam nossos mais profundos desesperos.

E NO ESMERO DE TER UMA VIDA MAIS DIGNA, nos atrapalhamos, somos tomados pelos simbolismos mais obtusos de nossos desejos proibidos, e aquela vida direita foge de nossas mãos, é como se não conseguíssemos organizar nossas emoções e pulsões.

A loucura namora nosso juízo e desperta o monstro da tentação do incerto, não queremos o certo…

A loucura, amante de razão provoca o gozo delicioso  da luxúria, e o direito fica bobo, sem sal e sem gosto.

É com desgosto que cuspo estas linhas de frustração, de constatação do fracasso da felicidade compartilhada.

Esta felicidade não existe, é porrada a vida toda, desilusão atrás de desilusão e não nos contentamos com uma vida básica. Queremos acordes novos, novas melodias malditas em sua essência de risco e prazer. E para ser , buscamos o prazer, tolo, vazio, pago…

E quando sozinho vago pelo esgoto aberto da Copacabana século 21, me sinto apenas mais um, vazio, solitário, incompreendido, impotente perante a falta de ruma desta vida insana.

E quando acho que encontrei um porto seguro, era apenas mais um aeroporto, base provisória desta viagem com rumo ao além, quem sabe com quem, e na verdade sempre sem ninguém.

Somente um doente a espera da morte iminente, alimentada pela inveja positiva, e pela alegria dos exames não reagentes.

Tentando reagir perante um caldeirão de eventos e sensações descontrolados.

Descontrolado estou novamente, 1 ano após a ruptura.

E neste momento de cicatrização, meu eu se desorienta, e no afã de encontrar um norte, entrega a vida a própria sorte..

Tentando adivinhar como sera a própria morte.

Eu vivo.

Hello world!

9 Jan

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